Teatro na Grécia Antiga
O teatro na Grécia antiga teve suas
origens ligadas a Dionísio (um deus grego), divindade da vegetação, da
fertilidade e do vinho, cujos rituais tinham um caráter orgiástico.
Durante as celebrações em honra ao deus, em
meio a procissões e com o auxílio de fantasias e máscaras, eram entoados cantos
líricos, os ditirambos (coral de pessoas), que mais tarde evoluíram para a
forma de representação plenamente cênica como a que hoje conhecemos através de
peças consagradas.
Seu florescimento ocorreu entre 550 a.C., e
220 a.C., sendo cultivado em especial em Atenas, que neste período também
conheceu seu esplendor, mas espalhou-se por toda a área de influência grega,
desde a Ásia Menor até a Magna Grécia e o norte da África. Sua tradição foi
depois herdada pelos romanos, que a levaram até as suas mais distantes
províncias, e é uma referência fundamental na cultura do ocidente até os dias
de hoje.
Evolução e
características
As procissões dionisíacas foram ficando mais
elaboradas, e surgiram os "diretores de coro”, elas podiam reunir nas
cidades até vinte mil pessoas.
O primeiro diretor de coro e dramaturgo foi
Téspis, convidado pelo tirano Pisístrato para dirigir a procissão de Atenas e
vencedor do primeiro concurso dramático registrado.
Téspis é considerado o pai da tragédia.
Logo após foi introduzido um segundo
personagem, além do protagonista. Representando dois papéis na mesma peça
através do uso de uma máscara com uma face na frente e outra na nuca. As
máscaras tinham uma outra função, eminentemente prática, por possibilitarem às
pessoas acompanhar a ação cénica pelas expressões que mostravam, quando a voz
do ator não conseguia alcançar toda a plateia.
Outros autores que se destacaram nesta época
são Choerilus, Pratinas e Phrynichus, cada qual introduzindo mudanças no estilo
da representação.
Destes, Phrynichus é o mais conhecido,
vencedor de competições e autor de tragédias com temas explorados mais tarde na
era dourada do teatro grego, como As Danaides, As Mulheres da Fenícia
e Alceste, sendo o primeiro a introduzir personagens femininos.
O coro era composto pelos narradores da
história que, através de representação, canções e danças, relatavam as façanhas
do personagem. Era o intermediário entre o ator e a plateia, e trazia os
pensamentos e sentimentos à tona, além de pronunciar também a conclusão da
peça. Também podia haver o corifeu, que era um representante do coro que se
comunicava com a plateia.
Os atores do teatro grego eram todos homens,
e interpretavam vários papéis durante o mesmo espectáculo. Na tragédia existiam
três atores e na comédia quatro. Os atores utilizavam máscaras e fatos que
poderiam ser pesados. Na tragédia os atores utilizavam uma túnica até aos pés,
chamado quíton, e o coturno; na comédia usavam-se roupas próximas às utilizadas
pelos cidadãos e calçavam-se sandálias.
O apogeu do teatro grego
Depois da queda de Atenas e sua destruição
pelos persas em 481 a.C. a cidade foi reconstruída, e o teatro passou a
desempenhar um papel ainda mais importante na cultura e no orgulho cívico
locais. Com a evolução da forma e a introdução de enredos fictícios ou
contemporâneos se estabilizaram dois gêneros principais, já plenamente cênicos:
a tragédia e a comédia. Nas Grandes Dionísias três poetas concorriam, cada um
com três tragédias e um drama satírico.
Os teatros
Os teatros situavam-se ao ar livre, nos
declives das encostas, locais que proporcionavam uma boa acústica. Inicialmente
os bancos eram feitos de madeira, mas a partir do século IV A.C. passaram a ser
construídos em pedra.
Para além a plateia distinguiam-se várias
áreas no teatro. A orquestra era a área circular em terra batida ou com lajes
de pedra situada no centro das bancadas, onde o coro realizava a sua
interpretação. Julga-se que a orquestra teria de início uma forma quadrangular,
como no Teatro de Tóricos. No centro da orquestra ficava a thymele, um
altar em honra a Dionísio, que servia não só para oferecer sacrifícios, mas
também como adereço. Em cada lado da orquestra existiam as entradas para o
coro, os parodoi.
Detrás da
orquestra estava a skenê, o cenário, estrutura cuja função inicial foi
servir como local onde os actores trocavam de roupa, mas que passou também a
representar a fachada de um palácio ou de um templo. Frente à skenê
estava o proscenium, onde os actores representavam os papéis, se bem que
estes também se deslocassem até à orquestra.Dos teatros da Antiga Grécia alguns dos mais importantes são os Teatros de Epidauro, o Teatro de Dodona, o Odeon de Herodes Ático, o Teatro de Delfos, o Teatro de Segesta, o Teatro de Siracusa e o Teatro de Dionísio.
Letícia Pacheco
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