Augusto Luiz Browne de Campos
Nascido em São Paulo, em 1931
Poeta, ensaísta e tradutor de poesia,
foi um dos principais articuladores do movimento internacional da poesia
concreta, nos anos 50 e 60. Tradutor de Mallarmé, Joyce, Pound e dos poetas
provençais, entre outros, foi também responsável pelo resgate de importantes
autores da literatura brasileira, como Sousândrade e Pedro Kilkerry. O corpo
principal de sua obra poética encontra-se reunido nos livros viva vaia, poesia
1949-1979 (Ed. Duas Cidades, 1979; Ed. Brasiliense, 1985); expoemas (Ed.
Entretempo, 1986); e despoesia (Ed. Perspectiva, 1994). Em 1995, lançou com seu
filho, o músico Cid Campos, o CD Poesia É Risco (Polygram). O desempenho criado
a partir do CD, em parceria com Walter Silveira, já foi apresentada em diversos
eventos, no Brasil e no exterior. Nos últimos anos, Augusto de Campos vem se
dedicando à feitura de poemas "verbovocovisuais" em mídia digital.
Trabalhando com um computador Macintosh e programas de multimídia, desenvolve
poemas novos, bem como releituras de obras anteriores, com recursos de som,
animação e interatividade.
IMPORTÂNCIA
DE SUA OBRA
Augusto de Campos é um de nossos mais importantes
poetas (senão o mais importante) no campo da poesia experimental. Seu labor
para atualizar as formas poéticas com relação ao mundo contemporâneo, desde os
tempos heróicos da poesia concreta, é bastante conhecido. Ao lado de seu irmão
Haroldo de Campos e do amigo Décio Pignatari, entre outros, formou a corrente
mais avançada da poesia brasileira, posição que continua ainda a manter, mais
de quarenta anos depois da eclosão do movimento da poesia concreta. Augusto de
Campos, particularmente, foi o poeta mais sensível à questão das novas
tecnologias e do relacionamento da poesia com a ciência. Em 1987, em seu artigo
"O Artista na Sociedade Tecnológica", ele já defendia a idéia de que
a tecnologia produz um impacto profundo em nossos sentidos e em nosso universo
mental, acrescentando ainda que novos princípios estéticos devem ser buscados a
partir do momento em que novos instrumentais tecnológicos se tornam
disponíveis. Imbuído da convicção de que, no fim do século XX, a poesia estava
saltando dos suportes tradicionais baseados na imprensa gutemberguiana, ele
começou um processo de aproximação com artistas que estão experimentando com
holografia e tecnologias eletrônicas (Julio Plaza, Moysés Baumstein, Walter
Silveira, entre outros), e a conceber, num primeiro momento, releituras de seus
poemas mais antigos em novos suportes, e depois trabalhos criados
especificamente para os novos meios. Malgrado tenha feito, em parceria, poemas
para vídeo, holografia, computação gráfica, painéis eletrônicos, etc., é com o
CD e espetáculo multimídia Poesia É Risco que a sua obra dá uma radical virada,
assumindo abertamente os novos meios. Atualmente, uma nova fase do artista está
sendo gestada, com uma coleção de poemas inteiramente produzida em computador.

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