Entrevista
– Síntese apresenta seu rap do
Vale
Em meio à enxurrada de “escuta
meu som aí, mano”, “fortalece aí ouvindo minha rima nova” e “confira o novo hit
do MC Fulano”, ainda conseguimos encontrar bons novos nomes no Rap nos
interiores de São Paulo. Exemplo disso é uma dupla aqui São José dos Campos que
conseguiu chamar a atenção a partir de um vídeo simples, beat torto, letra
nervosa e performance e levada neuróticas. A música se chamava 4:20 e os
responsáveis eram o grupo Síntese, com quem troquei uma ideia pra saber um pouco das
“várias fita na mente” desses dois caras que vem sendo apontados como promessa
da novíssima geração rap do Braza.
- Quem é o Síntese? Quando vocês começaram a se envolver com o Rap?
O Síntese é uma dupla. Léo (MC) e Neto
(BeatMaker/MC).
Começamos a
ouvir bem cedo, por influência de parentes e amigos nossos. Por volta de 2007,
o streetball era forte na cidade e nos proporcionou os primeiros encontros com
o rap tocado ao vivo. Nessa época tinhas 14, 15 anos, e víamos tudo acontecer
ali na rua. For ali que artistas como Skema, Marginal, De Paula, Hope, entre
outros nos mostraram pela primeira vez oque é o rap de verdade e seus ideais
que nos inspiram até hoje.
- Falem sobre a produção do
vídeo da música 4:20. Vocês esperavam essa repercussão? Algo mudou pro Síntese
depois que o vídeo foi liberado?
A ideia do web-vídeo era fazer com que parecesse um recorte do
nosso dia, uma intervenção no cotidiano naquele lote comum de espaço, porém de
significado pra nós, porque sempre estamos naquela praça. Esperávamos mais a
repercussão local que aconteceu, de quem já vem acompanhando o que a gente tem
feito por aqui desde as cópias da DemoTape (2010) e a Promotape (2011) que a
gente fez com a mesma ideia de ser um projeto mais para as pessoas daqui. Mas
de fato, o vídeo chegou em alguns lugares que não esperávamos mesmo. Não, nada
mudou. O vídeo só possibilitou que mais pessoas tivessem oportunidade de
conhecer a mensagem.
- Quando vi o título da música
4:20, achei que se tratava de mais um rap “enfumaçado”, mas a faixa tem uma
letra bem sóbria e até politizada. Porque a música leva esse nome? Foi
intencional esse contraste entre título e mensagem?
O título foi o horário em que a música foi composta, e a partir
disso o jeito que decidimos começar a escrever a letra. Na verdade não foi
intencional. Alguns interpretam assim não só pelo título, mas devido ao reggae
que rola no começo. Mas esse trecho só foi colocado porque é a original que
sampleamos “sampleamento é feito a partir de um Instrumento
digital que converte sons contínuos em discretos”, para fazer a base. A música não
faz menção nenhuma à maconha, a associação só é feita por quem enxerga o
registro de maneira rasa, porém alguns ainda analisam o contexto com atenção.
Além do som começar com um reggae,
pelo Facebook dá para ver que vocês curtem muito o estilo. Vocês trazem alguma
influência disso para a maneira como que fazem Rap ?
O reggae é
muito presente na nossa vida, por ser uma instrutiva e de cunho espiritual
muito forte, assim como o rap. Procuramos agregar essa vertente musical na
nossa arte o máximo possível. Temos um projeto musical só com samples de
reggae, temos muitos amigos que fazem reggae, a gente pensa em um dia até
montar uma banda e gravar umas coisas e tal
- Quando conheci eles, o que me
chamou atenção logo de cara foi a sonoridade diferenciada nos instrumentais e o
clima tenso nas letras e levadas sempre neuróticas. Vocês já começaram a fazer
as músicas nessa intenção ou foi algo natural?
Fazemos o que pede a intenção das propostas de cada coisa que
fazemos. Esse ímpeto é inevitável no que a gente se propõe a fazer, o que a
gente acha que deve ser falado pede uma seriedade maior no tratamento, de fato.
- Quais artistas, grupos ou
bandas (ou demais manifestações artísticas) influenciam o trabalho de vocês?
Nossos amigos nos influenciam muito, nossa família, principalmente
quem não é envolvido com arte. Nos influenciamos musicalmente por muitos caras
daqui, como os músicos do Coletivo Estoril, os manos do Distúrbio Verbal,
nossos parceiros do Sementes da Tribo, o Marginal, o GiRap, entre outros.
- São José dos Campos parece
ser uma cidade frutífera em rap, quais outros nomes vocês destacam aí da região
onde vivem?
Destacamos o Marginal, MC de milianos daqui e os nossos amigos do
Distúrbio Verbal. Guardem esses nomes.
- Citem cinco discos que vocês mais têm ouvido
ultimamente.
Sarksmo e Choco – Para Além da Capital (2006)
Noel Ellis – Noel Ellis (1983)
O Rappa – Acústico MTV (2005)
Monte Zion – Força, Vida e Luz (2002)
Black Alien – Babylon By Gus (2004)
Noel Ellis – Noel Ellis (1983)
O Rappa – Acústico MTV (2005)
Monte Zion – Força, Vida e Luz (2002)
Black Alien – Babylon By Gus (2004)
- Vocês
estão trabalhando em algum material? Disco, músicas novas… o que vem do Síntese
ainda em 2012?
Esttivemos com muitos projetos pra esse ano. Em março saiu nosso vídeo, e em abril a MixTape “Sem Cortesia”.
- Manos e
Minas volta com temporada de inéditos
Max B.O.
recebe na reestreia da atração os rappers do Síntese, Terceira Safra e
Haikaiss.
Música
O único programa de rap da
televisão brasileira inaugura neste sábado (9/6) uma nova fase, só com edições
inéditas. A apresentação continua sob responsabilidade do mestre do improviso
Max B.O. A turma do Projeto Nave permanece com cadeira cativa. No ar às 18h30.
Quem sobe ao palco nesta reestreia é o Síntese,
dupla de rappers de São José dos Campos formada pelos MCs Léo e Neto, que
frequentam desde 2007 as rodas de freestyle (rap de improviso). Marcam presença
também os grupos Terceira Safra e Haikaiss, ambos representantes da nova
geração de artistas do gênero.
Links das apresentações: http://www.youtube.com/watch?v=hLadLk8Qq-k // http://www.youtube.com/watch?v=dGDLq-8IY7Y&feature=relmfu
V3 já foi
o nome artístico do Leonardo, participou da etapa de Ubatuba da Rinha dos MC’s
Pedro O. Ribeiro



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